Mostrando postagens com marcador Paris. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paris. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Vista de cima da Grande Arche

Para efeito de comparação (destaque para a Tour AXA/Tour First ao fundo, à esquerda):

Esta foto foi tirada por mim em 2003 de cima da Grande Arche (em francês fala-se no feminino mesmo)


La Défense 2003

Esta foto foi tirada 6 anos depois, pelo colega Nido Costa, participante e membro da delegação da Missão Paris Batimat 2009 por mim organizada este ano, de cima da Grande Arche:



La Défense 2009



La Défense e o eixo histórico

La Defense é o distrito de negócios da cidade de Paris.
Torres de grande altura e de volumes variados, um imenso centro comercial, hotéis e serviços, incontáveis linhas subterrâneas de trens, metrôs e rodovias, a grande abóbada branca do CNIT e o emblemático cubo La Grande Arche dão a este quartier um ar sempre contemporâneo.
É isso mesmo.
La Défense continua atual, apesar de seu primeiro plano de massas datar de 1958 e dos seus primeiros edifícios terem sido construídos na década de 60, La Defense continua se renovando. La Défense sempre se superou, a cada nova década, recriando e repensando seus conceitos, reformando antigos edifícios, criando novos planos, trazendo novas tecnologias e inovações, e apesar de já ter enfrentado diversos períodos de crise, continua inovando e crescendo a olhos vistos.

A localização de La Défense é estratégica e foi cuidadosamente definida. No extremo oeste da cidade, além do anel periférico, o quartier de negócios fica sobre o mesmo eixo histórico de Paris que liga o Louvre ao Arco do Triunfo. Um grande projeto inaugurado em 1989 coroou, ou melhor, enquadrou esta ligação com a Paris histórica: La Grande Arche de La Défense.



O imenso cubo vazio revestido de mármore de carrara, fecha simbolicamente a perspectiva e deixa a vista passar. É a Champs Elysées chegando com muita propriedade à periferia, também a Champs Elysées rumando para o futuro, indo além, ultrapassando seus próprios limites e os limites da cidade.

Do alto de sua escadaria, tem-se uma vista impressionante do eixo histórico e nos rendemos conta, mais uma vez, do quanto Paris é fotogênica.

Tour First – La Défense - Paris

Durante a Missão Técnica Batimat Paris 2010, visitamos o canteiro da mais importante obra em andamento em La Défense, distrito financeiro e de negócios, a oeste de Paris.
Esta visita técnica foi bastante especial, por se tratar de uma grande obra de retrofit e da torre mais alta em construção no país até o momento.
A torre original, a Tour AXA, era um edifício de vidros escuros, com 40 andares, concluído em 1974 e baseado nas fachadas cortina dos arranha-céus de Nova York, bem como a maioria das torres construídas na década de 70 na região (segunda geração de torres de La Défense). Naquela época, aquelas torres representavam um avanço, um passo rumo ao futuro, por terem se baseado em Manhattan.
Hoje o quartier de La Défense está passando por um novo processo de renovação e modernização, o quarto processo na verdade, que envolve a adequação desta antiga torre de fachada cortina aos mais altos níveis ambienteis (HQE) bem como a construção de novas torres, também segundo tais princípios.
A reconstrução da Tour First vem neste sentido simbolicamente representar o início desta nova fase, despontando como um marco da renovação do distrito e um importante passo relacionado às preocupações com as questões de sustentabilidade no país.
O retrofit da torre previu em sua reestruturação um incremento de 10 andares à torre original, que passou a ter 50 andares (218 metros de altura), e será o edifício comercial mais alto da França quando concluído (que logo perderá o posto para a Tour Phare, em fase de projeto também para esta região, que alcançará 300 m quando concluída).
Além da altura, um ganho de mais 7.300 m2 de área útil será obtido a partir do incremento de 1,5m no perímetro das lajes de cada um dos pavimentos do edifício original, além do necessario reforço nas estruturas.
O ganho principal está relacionado ao criterioso estudo de insolação que foi feito nas fachadas e permitiu que soluções diferentes e diferentes tipos de fachada (vidros duplos, ventilados ou não ou vidros simples) fossem adotados de acordo com a radiação que cada um recebe no ano e com o sombreamento provocado pelos edifícios vizinhos. O ar condicionado também foi dimensionado e planejado prevendo-se as variações de demanda por toda a área do edifício.
A eficiência dá-se também pelos projetos de iluminação e automação adotados.

Todos estes conceitos adotados em projeto e uma completa explicação sobre a obra nos foram dadas em visita ao escritório SRA, onde fomos recebidos pelo Sr. Jean Rouit, parceiro local do escritório inglês Kohn Pedersen Fox Associates, responsável pelo projeto.Um dos momentos altos desta Missão foi a subida na torre, de onde se têm uma incrível vista de Paris que ficará guardada em nossas memórias e nas muitas fotos que tiramos.

Confira mais algumas delas ainda neste post



E por fim, frase/pensamento de Paul Valéry que estava na entrada da obra desta torre, muito providencial:

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Flanando pelo Canal Saint Martin


A partir do metrô Republique, passando pela movimentada Rue Faubourg Du Temple com seus restaurantes étnicos (muitos daqueles churrascos gregos, os kebabs), chega-se até o Canal Saint Martin, que nos remete a uma Paris bem diferente daquela dos grandes Boulevares, da bele epóque e dos marcos históricos.

Aqui, neste bairro operário do século 19, ao longo do Quai de Valmy, há uma Paris de diques e ancoradouros, com lindas pontes de ferro cruzando o canal e pequenos trechos de parques públicos. Um cenário que parece saído do filme dos tempos de Edit Piaf.

O canal é ladeado por árvores, com bancos e postes antigos, com trechos de calçamento de pedra, o lugar ideal para uma boa e agradável caminhada por uma outra Paris. Há várias opções de bons cafés e bistrôs para um simples, caseiro e verdadeiro Plat Du Jour ou uma Formule, neste caso, é claro, com precinhos bem mais camaradas do que na Place de La Madeleine, por exemplo...


Visitei a Artazart, uma livraria de arte, design e arquitetura que fica no número 83 do Quai Valmy. Uma livraria deliciosa, com muitos livros de arte e design e uma pequena, mas bem selcionada seção de arquitetura. Vale muito a visita!
Ali também há alguns bares da moda, como Favela Chic e a brasserie Chez Prune, que serve ótimos frutos do mar.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Paris, je t'aime

Declarando meu amor a Paris

Sempre fui fascinada por Paris.
Não é uma cidade alucinante e vibrante como NY, Tóquio ou Berlim, com seus luminosos e seus relógios a girar aceleradamente.
Paris é diferente. Em Paris, ao contrário, o tempo pára. Ela é singular, única.
Um museu a céu aberto, repleto de história, arte e cultura. Nem uma vida inteira seria suficiente para suprir a minha “vontade”de Paris.
Paris é uma cidade que nos convida à contemplação, à degustação (Bien sure!), a praticar a “joie de vivre”. Seus parques, suas praças perfeitas, seus caminhos, as grandes perspectivas, as pessoas, e as vistas do alto... Paris vista do alto revela-se quase mais bonita ainda! Tudo ali para se admirar. Eu fico deslumbrada. Sempre. Não importa quantas vezes já tenha ido.
Paris é como uma grande dama muito, mas muito sofisticada, delicada e cheia de mistérios. Uma dama que se dedica ao toilette completo antes de se apresentar em público, sem nenhum fiozinho de cabelo fora do lugar sequer. Paris é perfeita, mesmo em suas imperfeições. Sabe aquela linda mulher em quem até uma imperfeiçãozinha no queixo, nos lábios ou um pouquinho de estrabismo caem bem? Pois para mim, Paris é linda até quando se mostra imperfeita.
Não há nada mais prazeroso do que flanar em Paris. Sem destino, sem pressa.
Flanêrie... Só os franceses mesmo pra inventar um substantivo para definir o “andar sem rumo”...
Mesmo com toda a oferta de atrações turísticas, espetáculos, museus, o melhor mesmo é simplesmente flanar. Sem hora e sem destino. Deixar a cidade penetrar por todos os seus poros. Se perder em Paris é se encontrar.
Paris me emociona. Paris me encanta. Ir a Paris é como reencontrar uma velha amiga, sempre cheia de histórias pra contar, com quem a gente não vê o tempo passar.
Paris é inesgotável. Já fui e voltei várias e várias vezes, e a cada viagem, tentei decupar a cidade palmo a palmo, e há muito constatei que todo o tempo ou o sempre será insuficiente. Paris sempre revelará uma nova face, será uma novidade, mesmo com seus muitos e muitos séculos de existência, a cada viagem redescubro a cidade. E a mim mesma. É uma cidade que se renova, acima de tudo.
Como estudiosa do desenvolvimento urbano de diversas cidades européias, Paris ainda é para mim uma inesgotável fonte de pesquisa. Minha preferida. As perspectivas criadas pelas aberturas dos grandes Boulevares, o eixo monumental que exibe séculos e séculos de história ao longo de sua trajetória, passando pelo Louvre, Place de La Concorde, Tuilleries, Champs Elisees, Arc Du Triumph, Grande Armée, culminando na Grand Arché de La Défense tão contemporânea, dariam todo um tratado de história do urbanismo. As perspectivas mais inusitadas que culminam em seus pontos de fuga com monumentos como o Panthéon, Invalides, ou ainda as pontes e o Sena. As pontes de Paris com certeza dariam um outro tratado.
E tem também esta mistura entre o novo e o antigo, que, diga-se de passagem, também dá todo um “charme” – só pra usar um galicismo – à cidade e proporciona contrastes incríveis.
Paris é fotogênica. Impossível voltar de lá com fotos ruins. Também é impossível voltar sem boas memórias “gustativas”. Comer mal em Paris é praticamente impossível. Em qualquer brasserie ou bistrô, qualquer “Formule” ou “Plat Du Jour” é tratado como alta gastronomia até na apresentação do prato, sempre bem caprichada, com aquele toque francês...
Enfim, Paris é Paris. Incomparável e inesquecível. Revisitá-la será sempre uma grande alegria e uma grande renovação.
A bientôt, Paris!