domingo, 9 de outubro de 2016

Academia de Ciências da California



O devastador terremoto de 1989 ocorrido em São Francisco danificou severamente o antigo edifício da Academia de Ciências da Califórnia, no Golden Gate Park, então com 158 anos de uso, o que deu oportunidade à organização de recomeçar. Dez anos foram necessários para criar um super-eficiente novo edifício que inclui um aquário, um planetário e um museu de história natural, além de um centro de pesquisas de classe internacional. 



Em 2008 foi inaugurado o novo prédio, um marco da Arquitetura Sustentável, certificado LEED Platinum.


A Academia de Ciências é o maior edifício público do mundo certificado LEED Platinum e também o primeiro museu do planeta a alcançar este nível da certificação. Em 2011, o edifício passou a ser também o único edifício duplamente certificado LEED Platinum dos EUA e o maior do mundo.





Foto: Raquel Palhares. 

Tirada do alto do mirante e torre de observação do De Young Museum. 






Fotos: Raquel Palhares 




A primeira certificação foi conquistada com base no excepcional projeto do edifício e sua construção, LEED NC (New Construction). A segunda certificação LEED Platinum foi obtida segundo o LEED EB-OM, para operação e manutenção, categoria que reconhece incríveis estratégias adotadas para garantir que cada aspecto da operação diária do museu se mantenha o mais eficiente possível.


Nesta nova certificação, obtida já no formato da versão 3 do LEED, lançada em 2009, dos 80 pontos possíveis, a Academia recebeu inéditos 82 pontos por ter alcançado marcas máximas em vários créditos relacionados a Espaços Sustentáveis, Eficiência no uso da Água, Energia e Atmosfera, Materiais e Recursos, Qualidade ambiental Interna e Inovações no Design.


Por estes e outros aspectos, é considerado uma “obra prima da Arquitetura sustentável”, projetada pelo escritório do arquiteto italiano Renzo Piano, tendo com consultoria, dentre outros, a ARUP. 


Cada aspecto do edifício reverencia os recursos naturais: do vidro de piso teto na fachada que ilumina até 90% do interior naturalmente ao isolamento térmico de algodão feito de jeans reciclado. O projeto conserva duas grandes paredes da construção original de 1934 e abriga um planetário, uma floresta tropical e um aquário além de diversos espaços de exposição. O planetário e a grande bolha que contém a floresta tropical compõem as duas grades esferas que dão forma ao peculiar telhado verde, que por sua vez dialoga com a paisagem ao redor.






Na cobertura, a vegetação nativa não requer cuidados especiais ou irrigação frequente. O local não é completamente aberto à visitação justamente para permitir a atração de aves e outras espécies locais. Apenas um pequeno terraço é acessível ao público, de onde se pode ter uma visão bem clara da arquitetura da cobertura.


A Arqtours já visitou a Academia de Ciências em três oportunidades diferentes, conduzindo Missões Técnicas em 2011, 2012 e 2016.

Confira o video no link:
https://www.facebook.com/raquel.palhares.73/videos/1483627338319448/?l=7231422204857964877




Singapura: From a Garden City to a City in a Garden

ParkRoyal Hotel e seus "skygardens"
Parte das estratégias do governo de Singapura para trazer mais qualidade de vida à cidade, com mais espaços verdes de lazer, pode ser resumido no slogan em inglês por eles utilizado: “from a Garden City to a City in a Garden”.

A proposta inicial era criar espaços verdes para o lazer aumentando ainda mais a qualidade de vida dos moradores e reduzindo as ilhas de calor da cidade, tudo isso de forma muito integrada, colocando a cidade dentro de um jardim para que a população se aproprie disto.
A cidade possui espaços e jardins impressionantes, de criatividade incrível, e a vegetação transborda também pelas as edificações. Normativas claras e rigorosas impostas aos empreendedores e muitos incentivos para retrofit de edifícios antigos fazem hoje de Singapura uma cidade literalmente verde. Em todos os sentidos.

Com um clima tropical e úmido semelhante ao nosso, impressiona pela vegetação abundante em seus edifícios e parques e pela excelente qualidade de vida urbana. Uma cidade bem planejada, limpa e ultra disciplinada que valoriza o elemento humano e tira muito proveito do seu próprio clima, que ao invés de gerar desconforto, pelo contrário, encontra na vegetação que cresce naturalmente uma maneira de criar ambientes ricos em conforto térmico e edifícios impressionantes, verdadeiras montanhas vegetadas na cidade. São fachadas verdes, tetos jardim, muros, jardins. A vegetação está presente o tempo todo. 
Impressionante projeto das estufas do Gardens by the Bay,
vista do alto do hotel Marina Bay Sands



Torres de escritórios, edifícios residenciais, todos com vegetação exuberante em suas fachadas, em seus balanços em andares superiores, nos telhados, fazem com que a superfície da terra suba pelos prédios, transformando-os em grandes montanhas verdes.
Capita Mall e seus terraços vegetados



“Edifícios jardins” fazem parte da política e das práticas construtivas de Singapura, áreas verdes em condomínios e edifícios altos são obrigatórias, segundo políticas sempre focadas em saúde e meio ambiente como componentes chave necessários para a saúde de uma cidade densamente ocupada. A cidade tem a obrigação de fornecer áreas verdes, e misturando a natureza na paisagem urbana, ajuda a suavizar a imagem de alta densidade de edifícios. Esta estratégia de vegetação penetrante, além dos edifícios, inclui parques e atividades sociais e comunitárias ao ar livre.













Capita Green, torre de escritórios de 40 andares, projeto de Toyo Ito, que incorpora vegetação em toda sua fachada.  

Singapura é uma cidade coberta de verde. O que a torna não somente esteticamente agradável como também melhora a qualidade do ar e reduz a sensação de calor do sol tropical.
Delegação ArqTours em Missão a Singapura, setembro 2015. 
Em visita a um dos edifícios de moradia de estudantes da 
Nanyang Technological University




















Nós, arquitetos e urbanistas brasileiros, temos muito que aprender com a história recente desta cidade que soube se desenvolver em um piscar de olhos e hoje é sinônimo de sucesso e prosperidade. Nossos climas são muito parecidos e algumas lições importantes podem ser tiradas do exemplo de Singapura. Acho que a principal delas é colocar as pessoas em primeiro lugar.

 
Raquel Palhares é Arquiteta e Urbanista, dirige sua consultoria de viagens ArqTours, organizando Missões como esta para profissionais de arquitetura e engenharia em todo o mundo, dispostos a conhecer e estudar casos de sucesso de cidades e empreendimentos, aprimorando seus conhecimentos, suas habilidades e sua bagagem profissional. As fotos deste post são todas de sua autoria.

"California Dream" reinterpretado


No extremo oeste do continente americano, São Francisco sempre foi um lugar diferente. A sua identidade é única e em nada se compara a outros grande centros inclusive dentro do próprio estado da Califórnia, como Los Angeles, ou San Diego. 
Isso se deve muito à sua população mista, composta por imigrantes de todas as partes do mundo e de vários outros lugares dos Estados Unidos.
Mais uma característica unica de São Francisco: 
 escadarias, ou “steps”, substituem as ruas nas regiões mais ingrimes, 
criando espaços agradáveis como pequenos jardins, 
caminhos vegetado,  além de vistas e perspectivas da movimentada cidade. 
foto: Raquel Palhares   
Até a metade do século XIX, a cidade esteve bastante isolada, pois era difícil chegar a São Francisco (até hoje acho super longe!). Mas após 1849, com a Corrida do Ouro, São Francisco cresceu rapidamente.
A população inicial veio de algum outro lugar: Espanha, Inglaterra, Irlanda, Italia, China, Filipinas, México e América Central, e de outras partes dos Estados Unidos, em busca do "California Dream", o sonho americano de ir para a Califórnia, encontrar ouro e enriquecer.
Tantas pessoas com suas individualidades e uma grande diversidade étnica, levou a um grande respeito às diferenças e uma cultura muito mais abrangente.
Uma cidade que se desenvolveu incluindo e respeitando diferenças, criando um ambiente propício à tolerância e liberdade de expressão. Com forte histórico de ativismo político, foi o local da fundação das Nações Unidas em 1945, foi epicentro do movimento hippie e da geração beat, palco de inflamadas manifestações pacifistas e pelos direitos civis.
Mesmo depois do advento da Ferrovia Transcontinental, e a facilidade de se viajar por ar a partir dos anos 60, São Francisco manteve-se única, um lugar afastado das mais convencionais culturas americanas, com uma sociedade multi
Em seu currículo, São Francisco é apontada também como a cidade que pela primeira vez defendeu casamentos homossexuais e onde, em 1978, a primeira bandeira de arco-íris, símbolo do movimento LGBT, foi alçada e trazida a público.

Foi a primeira cidade do planeta a proibir o uso de sacos plásticos não recicláveis e brinquedos que contenham produtos químicos e 17% da área total da cidade é reservada a parques e espaços verdes.

Vista do alto da Coit Tower, skyline de San Francisco.
Foto: Raquel Palhares

Com esta personalidade tão forte, São Francisco sempre buscou olhar para fora, atenta para o que acontecia de mais inovador e ousado no mundo e trouxe isto para a sua história e para a sua arquitetura. Ao longo do tempo, várias vezes a cidade buscou inspiração para sua arquitetura em seu clima, em seus recursos naturais, em sua topografia, respeitando a evolução econômica e sua sociedade. Os novos edifícios, as novas tecnologias e a arquitetura do século XXI continuam este debate. Os arquitetos da cidade, que sempre buscaram parâmetros na natureza e em seus recursos e no que se fazia de mais vanguardista  e inovador no mundo, sempre estiveram antenados para o momento histórico presente. E assim, até hoje, São Francisco continua a se projetar para o mundo como uma cidade diferente e de ponta.
Hoje a cidade de São Francisco é líder em empreendimentos certificados LEED nos EUA. Em toda a Bay Area, há mais de 700 processos de certificação LEED em andamento (mais do que em todo o Brasil).
A alta densidade urbana, em uma cidade compacta, onde pouco mais de 800mil habitantes vivem em 122km2 com um eficiente sistema de transporte público, favoreceu a sustentabilidade urbana, a reciclagem de resíduos (obrigatória por lei desde 2001) e a compostagem.

Delegação Missão Técnica ECOBuilding em São Francisco,
Arqtours, realizada em outubro 2012
A cidade abriu uma grande linha de financiamento para a produção de painéis solares, turbinas eólicas e para a melhoria da eficiência energética e hoje existem mais de 125 mil vagas de empregos públicos e privados “verdes” na cidade.
Não foi sem motivos que São Francisco foi eleita a cidade onde menos se desperdiça nos Estados Unidos, já que seus habitantes costumam, por exemplo, desligar as luzes quando não utilizam os cômodos e boa parte dos táxis são carros híbridos ou alimentados por biocombustíveis.
São Francisco tem uma sociedade consciente, natureza presente, boas iniciativas em benefício do meio ambiente.
Delegação Misão Técnica GreenBuild em São Francisco,
Arqtours, realizado em setembro 2016
Seus planos e suas diretrizes apontam para um futuro cada vez mais consciente e cada vez mais verde.

Talvez esta deva ser a reinterpretação do “California Dream” para o século XXI ...

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O valor do sorriso

Caros colegas arquitetos, que cara vocês acham que deve ter uma clínica odontológica do século XXI?

Como criar um ambiente confortável que inspire confiança, reduza a ansiedade e faça com que as pessoas praticamente esqueçam que estão em um consultório odontológico?

Muitos novos consultórios vem se livrando das paredes brancas e das salas de espera monótonas repletas de revistas velhas. Aqui no Brasil  há bons designers de interiores e arquitetos especializados neste mercado fazendo projetos interessantes que fogem ao convencional, mas o projeto mais bonito que já vi para uma clínica odontológica fica em Berlim.


Visitei recentemente esta clínica e spa odontológico na Alemanha, chamada KU64, que ocupa dois andares de um prédio antigo, no número 64 da elegante e bem frequentada Kurfurstendamm, a “Champs Elysees” de Berlim, uma avenida repleta de boutiques de grife, hotéis estrelados e bistrôs com cadeiras na calçada ao melhor estilo parisiense.

O projeto desta clínica, assinado pelo escritório GraftLAB, em nada se parece com uma clínica odontológica. Nem o cheiro de consultório de dentista tem.

Os interiores em dry wall curvado fazem desaparecer cantos de paredes e integram o ambiente do piso ao teto de uma forma fluida que provocam este efeito de 3D como se estivéssemos em meio a dunas de areia ou entrando em uma praia. Tudo em tons de amarelo, conseguido através da pigmentação de um selante de poliuretano que foi aplicado sobre todo o dry wall. 

O arquiteto Lars Kruckeberg do GraftLAB define o conceito central deste projeto com a palavra “dunescape”, fazendo referência a paisagens de praia e dunas e areia como forma de “escapar” da ansiedade que gera uma visita ao dentista: sentar na cadeira do dentista como quem senta em uma espreguiçadeira de praia.

O ambiente com estes dry walls tem um toque futurista e inovador e cada ângulo que se olha traz uma novidade, uma nova perspectiva, um novo detalhe, como por exemplo é possível ver de certo ângulo uma figura humana se formar a partir de pontos brancos estrategicamente colados sobre o dry wall. Algumas paredes internas vegetadas criam uma combinação muito agradável com os corredores amarelos e trazem vida, humanizando o espaço com as suas plantas.

Móveis em tons bordô fazem o contraponto perfeito com o amarelo do “piso-parede-teto”. Virei fâ deste projeto e deste escritório desde que visitei uma outra obra deles com este mesmo conceito do dry-wall curvado, o Hotel Q!, também em Berlim. (assunto para outro post futuro).

Na sala de espera, integrada a um pequeno terraço com ares de praia, sofás e confortáveis espreguiçadeiras criam um ambiente muito aconchegante. Uma lareira suspensa, presa ao teto no centro da sala de espera, foi desenhada especialmente para este projeto pelo escritório. O Sr. Petros Prontis, Marketing e Comunicações da clínica, nos confessou que já houve caso de pacientes irem até lá mesmo sem ter consulta agendada somente para passar algum tempo no sofá, tomar um café e ficar consultando a internet ou apenas relaxando.


Na espera das crianças, aconchego e diversão tiram o foco de atenção das “questões dentárias”: sofás feitos de bichinhos de pelúcia, brinquedos interativos, cabana, túneis e escorregadores que mais lembram um buffet infantil em dia de festa do que um dentista.

Nos consultórios propriamente ditos, não há como fugir do elemento central: a temida cadeira e seus apetrechos e motorzinhos, mas o ambiente é tão agradável, com janelas voltadas para fachada sul que deixam entrar luz natural e proporcionam vistas da cidade, que os pacientes ficam bem relaxados, quase numa cadeira de praia. O consultório infantil foi decorado com motivos espaciais, incorporando a temida cadeira ao tema, como se ela fizesse parte de uma nave espacial e no teto, telas de TV embutidas distraem os pequenos.

Arq. Raquel Palhares com o arq. Lars Krückeberg em Berlim, 2011.
Os arquitetos criaram outros espaços incríveis, como uma sala de escovação com uma enorme cuba central branca maravilhosa e  torneiras pendentes incríveis, enfim, o projeto todo é verdadeiramente cuidadoso, inclusive na comunicação visual, nos banheiros, corredores, copa e cozinha dos funcionários. Um projeto diferenciado e muito criativo.


Um projeto tão diferenciado e exclusivo só foi possível graças à vontade de todas as partes, principalmente dos clientes (um grupo de 8 dentistas com mentalidade jovem dispostos a inovar) de criar ambientes que fizessem com que a ida ao dentista fosse mais agradável. 

Desta forma, eles seguramente puderam realizar um outro sonho de todo dentista: ver seus pacientes sorrindo!



A ArqTours esteve em visita técnica ao KU64 em duas oportunidades, como parte da agenda da 
Missão Alemanha AsBEA-RS realizada com exclusividade para esta entidade em 2011 
e novamente durante a 
III Missão ArqTours e Ecobuilding Alemanha, realizada em Maio de 2015.









terça-feira, 22 de setembro de 2015

Pérolas do Deserto

Imagine um empreendimento de 2.500 hectares construído para abrigar atividades de lazer e entretenimento e criar um novo foco de atração de turistas de todo o mundo com praias, hotéis, resorts, marina, spa, parques temáticos, campo de golfe, shopping centers, etc. Agora imagine uma ilha. Uma ilha em um lugar onde há sol e altas temperaturas o ano todo e as chuvas são praticamente inexistentes.

Finalmente some a tudo isso a adrenalina e velocidade das corridas automobilísticas e o luxo associado a uma das marcas de carro mais desejadas de todo o mundo.

Esta “ilha da diversão” existe e se chama Yas Island. Fica nos Emirados Árabes, pertinho de Abu Dhabi e de Dubai e foi inaugurada em 2009.

Yas Island é uma ilha artificial e custou cerca de 40 bilhões de dólares. Foi Yas Island que projetou Abu Dhabi para o mundo. Yas Island e o hotel Yas Viceroy ficaram mundialmente conhecidos em 2009, ano de sua inauguração, durante o primeiro Grande Prêmio de Abu Dhabi de Formula 1, quando o mundo todo pode assistir e ver imagens impressionantes do circuito de Abu Dhabi e do Yas Hotel.

O autódromo Yas Marina Circuit, onde acontece o Grande Prêmio de Fórmula 1 de Abu Dhabi, foi desenhado por um conceituado arquiteto alemão, Herman Tilke, especialista no assunto, que assinou também outros conceituados circuitos como o de Singapura e o do Bahrein. A ideia de entrar para o calendário oficial da Fórmula 1 estava intimamente ligada ao desejo de criar também um destino turístico requintado, associado à imagem de glamour e exclusividade das corridas de Fórmula 1.

Em 2010, seguindo a temática das corridas, foi inaugurado o parque temático Ferrari World, com uma cobertura “vermelho Ferrari” com mais de 200.000 m2 que parece um “polvo” e ostenta o logotipo gigante da marca italiana de automóveis.

Recentemente, em 2013, foi inaugurado também um enorme shopping center, o Yas Mall, e um parque aquático temático, chamado “Pérola Perdida”, cujas atrações recontam as origens históricas dos Emirados, como a pesca e o comércio de pérolas e pedras preciosas. A ilha possui também um clube de golfe, diversos hotéis, resorts e a Yas Marina, com duas grandes áreas para cerca de 160 iates de até 66 metros de comprimento e um Iate clube. Bares e restaurantes nos hotéis e na marina e enormes espaços fechados para shows garantem também diversão noturna na ilha.


Mas o destaque principal é o Yas Viceroy Hotel que se destaca por sua implantação, praticamente dentro do autódromo e anexo à marina. A arquitetura do hotel, projeto do escritório Asymptote, impressiona. Por dentro e por fora. A planta em T “abraça” uma das pistas do autódromo e passa com uma ponte em aço por cima dele, para que todos os apartamentos desfrutem vistas privilegiadas do circuito e do entorno.

A estrutura da cobertura, que cumpre a função de proteger as fachadas do sol, também faz um movimento de “abraçar”, envolvendo todo o edifício com uma delicada pele curvilínea de forte impacto visual. É um espetáculo a parte, tanto de dia quanto à noite.

Essa pele que envolve o hotel é composta de pequenas estruturas de vidro fixas que formam uma malha, chamada “gridshell”. A imagem do hotel, tão intimamente ligada à do circuito, foi o que tornou icônica a imagem do complexo de Yas Island em 2009 e atraiu a atenção do mundo.


O design de interiores do hotel segue a temática das corridas, com o piso marcado por linhas ora curvas, ora retas que remetem ao circuito. Diversos elementos da decoração remetem ao “gridshell”, como biombos, cadeiras etc.

É um projeto verdadeiramente poético. Sua forma orgânica, leve e envolvente e o dinâmico show de luzes coloridas em LED´s à noite ajuda a compor ainda mais o espetáculo que é esta arquitetura.

Em setembro de 2015, a ArqTours teve o privilégio de visitar as dependências do hotel Yas Viceroy durante a Missão Técnica Singapura + Emirados Árabes e pudemos ver de perto esta pérola da arquitetura contemporânea.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Casual Dining Experience – Phil´s Fish Market, Califórnia

Como todos sabem, o meu ganha-pão e o sucesso de minha agência de viagens, Arqtours, está intimamente ligado ao desenvolvimento de roteiros de viagens especiais com teor e visitas técnicas de arquitetura, sempre ultra recheados de programas diferentes, dicas imperdíveis que fogem dos pontos turísticos convencionais e que acrescentam um algo a mais a cada viagem realizada.
Pois bem.
Agora, em julho passado, o desafio foi montar um roteiro mais que especial para clientes mais que exigentes e atentos: toda a minha família na Califórnia!
Tentando de todas as formas superar o velho ditado sobre a “casa de ferreiro”, criei um roteiro mais que especial. Começamos por São Francisco e fomos descendo: Monterey, Carmel, as aclamadas milhas de Pebble Beach, todo o caminho e as paisagens do Big Sur (inesquecível!), Los Angeles com suas praias e atrações malucas, culminando em Ananheim, terra natal do famoso ratinho das orelhas redondas.
No roteiro, um pouco de tudo: cultura nos museus de São Francisco, diversão a altura dos baixinhos e dos altinhos na Disney, Universal e no Aquário de Monterey e como não poderia faltar, muitas compras nos vários outlets e grandes supermercados pelos quais passamos (tudo dentro do roteiro e do cronograma!!). Sempre que possível colocava alguma refeição num local diferente, para fugir dos inevitáveis sanduíches de fast foods, dos Starbucks e Olive Gardens da vida...observando apenas que não tenho absolutamente NADA contra o Olive Garden....aliás, adoro, e este lugar já me salvou muitas vezes nos “States”. Comida boa, tem salada, preço justo e “kids friendly”. Tudo que se procura numa viagem exatamente como esta que estávamos fazendo.
E foi procurando por lugares assim: que aceitassem bem os baixinhos e tivessem um menu legal para todos, que descobri um dos grandes achados desta viagem: Phil´s Fish Market & Eatery. Melhor noite casual, sem dúvida.
Não está no ZAGAT. Não está no Michelin. Encontrei a dica em sites locais, onde moradores da região recomendavam, e depois confirmei a informação numa “fonte segura”(!!!): nas redes sociais, onde estavam falando muito bem deste lugar, combinando de se encontrar lá, de ir com a família, essas coisas....assim, mais ou menos como quando a gente combina o chope ou o pastel de sábado pela manhã, sabe? E eu fui na deles....
O lugar fica escondido, local um tanto deserto, na praia, em Moss Landing, e apesar de já ser quase em Monterey fica longe de tudo. Chegar até lá foi fácil graças a Mathilda (apelido que as crianças deram ao GPS), mas exigiu planejamento prévio, já que estávamos neste dia saindo de São Francisco em direção a Monterey e o restaurante fica um pouco antes de chegar na cidade, e eu queria muito chegar lá  antes do por do sol, para que eles pudessem ter esta experiência de ver o sol se por pela primeira vez nas águas do Pacífico (e também porque o restaurante fecha às 9... Mania de americano de jantar cedo...)
Na praia, pé na areia mesmo, e é um mercado de peixes frescos também. Na entrada, pela peixaria, frutos do mar e peixes no gelo, lagostas e caranguejos vivos em grandes tanques. Ma beleza, para quem aprecia, como eu.
Depois, um pequeno bar e chega-se então o pequeno restaurante, “Eatery”,  metade fora e metade dentro da área da “peixaria”.
Piso desgastado de madeira, mesas com bancos ou cadeiras também de madeira, tudo muito simples e muito rústico, sem frescuras. O menu é uma mistura de comida mediterrânea/ italiana com várias boas massas, tudo com muito “seafood”. Delícia!
A especialidade é o Cioppino, espécie de ensopado de peixe e frutos do mar, que pode ser servido num prato fundo como uma sopa ou dentro de um maravilhoso pão, parecido com um pão italiano redondo, chamado Sourdough Bread, tem muito na Califórnia. A verdade é que as opções são muitas e as porções são imensas. Para ter idéia: tem um balcão só com embalagens descartáveis de todos os tamanhos e com todos os “amarrilhos” necessários para pegar a vontade e levar para casa tudo o que sobrar.

 Você escolhe os pratos no extenso menu, pega a fila do caixa, faz o pedido, paga e recebe um número para colocar sobre a mesa e esperar, além do ticket para pegar as bebidas no bar. Pegamos nossas bebidas e fomos procurar uma mesa.  A esta altura, as crianças já estavam se divertindo, e caminhando na praia ali logo em frente.
A espera foi também maravilhosa: música ao vivo, com uma banda de senhores sessentões animadíssimos tocando Rock and Roll das antigas para uma plateia tão animada quanto eles próprios. Parecia que todos se conheciam. Estavam no quintal de casa, ou melhor, na praia...  Ora ou outra, os cantores “abriam o microfone” e se revezavam com alguns fregueses mais entusiasmados e muito bem afinados por sinal, e até alguns garçons colaboraram cantando em espanhol. Naquela noite, teve até uma canja de uma menininha de uns 6 aninhos que corajosamente agarrou o microfone e cantou musiquinhas tipo “Itsy Bitsy Spider” e foi praticamente ovacionada pelos próprios pais corujas  e por tantos outros papais e mamães que se identificaram, inclusive nós mesmos. Uma graça. Muito família.
Veja este videozinho meu, no You tube, clicando aqui
No corredor que dá para os banheiros, um mapa múndi com inúmeros daqueles alfinetes de cabeça colorida provavam que gente do mundo inteiro já havia estado lá (mesmo sem estar no Michelin...)
E assim, nossa noite rendeu. Muita musica, comida fresca e de primeira, primeiro por do sol sob o Pacífico e um bom acolhimento para as crianças. O melhor de tudo? As pessoas!!! Sem dúvida, a alma do lugar são as pessoas que o frequentam!!! E ali, isto ficou mais que evidente!!! É isto que faz o ambiente e isto é algo que Mastercard não compra...

Fica a dica:
Phil´s Fish Market - 7600 Sandholdt Rd, Moss Landing, CA 95039

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Moderno e sotisficado

Melhor dizendo: sofisticado, moderno e sa-bo-ro-so! Assim é o River Cafe, o italiano moderno de Londres.
É certo que hoje em dia, no mundo todo, são muitos os restaurantes italianos de uma nova geração, mais moderna, cujo estilo está há anos luz das cantinas e trattorias com aquelas garrafas de Chianti enfeitadas com fitilhos “verde, rosso e bianco” pendurados no teto e máscaras de Veneza pelas paredes...mas uma coisa é
certa: mesmo que hajam muitas cozinhas italianas modernas, esta é diferente.




E se você for arquiteto ou amante de arquitetura, vai ganhar um plus a mais:
Poderá apreciar, logo ali ao lado, na esquina, na fachada de vidro de um prédio baixinho, as maquetes de obras internacionalmente conhecidas como a do Centro Georges Pompidou em Paris...isso! aquele prédio todo colorido com as tubulações aparentes! é o atelier de ninguém mais ninguém menos que Richard Rogers, arquiteto de pais britânicos (mas que nasceu em Florença)que assim como Foster recebeu o título de “Sir” da Casa dos Lordes em 1996. Grande arquiteto, de projeção internacional.
Sobre o restaurante, a chef e proprietária do River Café é Ruth Rogers, esposa do arquiteto.




O local foi aberto em 87, para ser um café e ponto de encontro dos funcionários do escritório de arquitetura de Rogers, e tem um jardim em frente,
com vista para o Tâmisa. Ganhou fama, uma estrela no Michelin em 97 e hoje atrai gente muito bonita e abastada, locais e gente do mundo todo, amantes da boa gastronomia.
O ambiente lembra em tudo o estilo de Rogers, que reformou o lugar em 87. (Fui ao banheiro e ficava pulando de alegria!! Nossa! Olha a porta colorida!!! Olha o tampo da mesa!!! olha tudo!! Richard Rogers!!!...se voc~e é arquiteto, deve estar entendendo minha empolgação..)
O Menu traz pratos com ingredientes da estação, e está sempre mudando.




Menu simples, imperdível e saboroso. O que faz realmente a diferença é a qualidade dos ingredientes, temperos e claro as mãos de Ruth que transformam um espinafre cozido, ou um pedaço de polenta ou uma flor de alcachofra numa verdadeira experiência... muito, muito bem feito...tudo, inclusive as pastas “ hand made” e as carnes que ficam assando na cozinha, às vistas de todos num lindo e imenso forno imenso que compõe perfeitamente com a arquitetura do lugar.



São umas cinco ou seis opções de entrada, de primeiro prato e de segundo, numa folha impressa.
No verso, sobremesas, sorvetes e queijos fecham o menu...A seleção de vinhos é
formada exclusivamente por italianos...por mim tudo bem...claro ue não deu pra pedir nem um Amarone, nem um Brunello...teve que ser um vinho mais simples...aí, pedimos dois...hehehe...



A sofisicação fica por conta da assinatura de Richrd Rogers no projeto, pelo escritório ali do lado e pelos ingredientes de procedência indiscutível, o moderno fica por conta da clientela e também do ambiente...e o sabor...ah! Isto está nas mãos e criações de Ruth!
Grande noite! Memorável...




Para mais fotos de The River Café, clique aqui e confira o album no PICASA:









Filleto diManzo que fi assado bem ali, no fundo do salão, num forno que fica aparente para todos!






Branzino. Este foi meu secondo! (o Primo foi um ravioli - confira mais imagens no PICASA:https://picasaweb.google.com/quelpalhares/TheRiverCafeLondon?authuser=0&feat=directlink

Duas obras de Foster em Londres

O Museu Britânico é parada mais que obrigatória para qualquer turista em Londres. Acervo incrível de proporções colossais (são mais de 7 milhões de objetos, de todos os continentes), peças raras, de grande valor histórico que nos permitem uma verdadeira imersão na história e na cultura das civilizações.

O mais interessante é que além de parada obrigatória por conta de seu acervo, na última década o Museu foi se tornando cada vez mais um local de passagem obrigatória para muitos dos habitantes que no seu dia a dia costumam caminhar ou descansar por ali. No coração dos edifícios neoclássicos que abrigam as coleções, o grande quadrilátero que no projeto original ficava a céu aberto, recebeu no ano 2000, em comemoração ao novo milênio, uma imensa cobertura translúcida criada pela arquiteto e Lorde inglês, Sir Norman Foster.
Visto de fora, o Museu já é bastante imponente, desde os portões de entrada até suas colunas na fachada e a escadaria principal, mas lá fora não há nada, nenhum sinal, nenhuma dica sequer sobre a cobertura e esta “praça coberta” que lá dentro se revela. Talvez por isso, ela ainda hoje continue surpreendendo quem visita o museu pela primeira vez. A estrutura e os vidros sugerem movimento, a cobertura como um todo criaum “link” entre as salas do acervo que ficam ao redor do quadrilátero e promove a entrada da luz natural e um grande bem estar, tanto no inverno quanto no verão, tudo muito convidativo, muito agradável. Não é à tôa que as pessoas que por ali moram ou trabalham costumam cortar caminho por dentro do museu, percorrendo o “Great Court”, de um lado a outro,e também se apropriam daquele espaço de várias maneiras, como uma praça fechada onde se pode ficar e além de tudo respirar toda aquela cultura milenar.

Já do outro lado do Tâmisa, um outro projeto de Foster, este exposto em toda a sua exuberância e visível às margens do rio a quilômetros de distância, provoca também sensações em quem o vê.

Inaugurado em 2002, o City Hall tem uma arquitetura toda peculiar, tanto por fora quanto por dentro. Um volume que parece uma esfera modificada, muito mais que uma simples elipse, um edifício que não se sabe ao certo onde é a frente e onde ficam os fundos e que veio ao longo destes anos recebendo de londrinos e de turistas muitos apelidos, alguns carinhosos outros nem tanto.

Este foi o primeiro edifício de uma série de obras que foram sendo erguidas em Southwark, a fim de renovar toda a região e criar uma nova vida e uma nova identidade para estre trecho ao sul do Tamisa.

O volume inusitado da prefeitura já virou cartão postal da cidade, e para os turistas, são contadas histórias poéticas que justificariam a sua forma, mas é muito importante ter ciência de que a forma do edifífcio vai muito além de razões puramente estéticas: para se chegar nesta forma, o edifício foi estudado e reestudado em odelos computadorizados para que alcançasse os melhores níveis de eficiência energética possíveis e aqui vãoalgumas considerações para que, em sua próxima visita a Londres, possa olhar o City Hall com outros olhos:

De todas as formas sólidas, a esfera tem a menor área de superfície em relação ao volume. Com esta esfera modificada, o edifício passa a ter aproximadamente 25% menos área de fachada do que, por exemplo, um edifício quadrado, com o mesmo volume. Minimizando a área de superfície do edifício, a perda ou ganho de calor não desejado pode ser evitado.

A sua inclinação, com cada pavimento se sobrepondo ligeiramente para fora em relação ao inferior, também é favorável à eficiência energética: desta forma, na face sul (mais ensolarada) cada pavimento sombreia o de baixo, evitando o excesso de radiação solar e portanto diminuindo a demanda energética e o consequente uso de ar condicionado.

Na face norte, onde o edifício recebe menor radiação solar, pode-se abrir as janelas da fachada para a entrada de luz natural e permitindo ainda, neste caso, ampla vista do rio.

Modelagens computacionais com muitas análise integradas estudaram a forma e demonstraram como mover as correntes de ar através da construção, e a planta do interior do edifício também foi definida de forma a maximizar a ventilação natural.
Neste projeto, Foster usou a experiência adquirida no Reichtag de Berlim, e aparece novamente a rampa helicoidal que percorre todo o edifício por dentro e proporciona bons níveis de isolamento acústico, como também foram alcançados anteriormente na sede do Parlamento Alemão em Berlim.

Mas para que nã seperca o ar poético e estético, o comentário é que a rampa que se vê desde lá de fora representa o acesso aos governantes e a transparência dos mesmos. ´
O que posso assegurar com toda a certeza, é que poesia mesmo foi subir aquela rampa, e que a transparência, pelo menos de dentro pra fora nos permite ver a porção norte Londres e o Tâmisa ficando bem aos nossos pés. E apesar da pouca altura do edifício (10 andares), do último andar tem-se vistas de tirar o fôlego da famosa Tower Bridge, da Torre de Londres e do aglomerado de edifícios altos do outroladodo rio...nesta hora, não dá pra ficar pensando em eficiencia energéitca e ar condicionado, iluminação natural...só dá pra sentir...e viajar na historia e na arquitetura que só os olhos podem ver... Pura poesia!




terça-feira, 12 de abril de 2011

Green Buildings em Nova York em Julho


Caros colegas,
Está pronto o pacote para a IV Missão Técnica green Buildings em Nova York.

Desta vez, a proposta é unir o útil ao agradável: além dos compromissos profissionais, visitas técnicas e abrodagem das questões de sustentabilidade, estendemos a viagem (agora com 9 noites) para que possamos aproveitar a oportunidade desta data e participar das comemorações do 4 de Julho em Manhattan, com sua inesquecível queima de fogos e muitas oportunidades de boas compras a preços reduzidos desta época do ano. Visitaremos Nova York em Julho, quando o clima propicia agradáveis caminhadas e a cidade vibra com muitas atividades ao ar livre.

A viagem inclui visitas técnicas aos principais Green Buildings da cidade, alguns deles os primeiros e maiores do mundo com acompanhamento desde o Brasil. Visitaremos empreendimentos, escritórios e profissionais seriamente envolvidos com as questões de sustentabilidade na Construção Civil.
Para reservar sua vaga para esta Missão, gentileza entrar em contato conosco o quanto antes para garantir as melhores condições.

Programa Preliminar - NY, De 01 a 11 de Julho de 2011
Dia 01 de julho, sexta-feiraEmbarque no Aeroporto de Internacional de Guarulhos em São Paulo em vôo direto com destino a Nova York
Dia 02 de julho, sábadoChegada em NY, traslado e acomodação no hotel. Dia livre para descanso e compras.
Dia 03 de julho, domingoDia livre – dedicado às compras – Opcional: Outlet Woodbury Premium
Dia 04 julho, segunda-feira
Feriado 4 de julho –jantar com queima de fogos no Pier 59 – (5pm às 10 pm)
Dia 05 de julho, terça-feiraDia dedicado a visitas técnicas.
Dia 06 de julho, quarta-feiraDia dedicado a visitas técnicas.
Dia 07 de julho, quinta-feiraDia dedicado a visitas técnicas.
Dia 08 de julho, sexta-feiraDia dedicado a visitas técnicas.
Dia 09 de julho, sábadoDia livre
Dia 10 de julho, domingoDia livre
Dia 11 de julho, segundaEm horário oportuno, traslado para o aeroporto e retorno a São Paulo.


Consulte-nos sobre valores, condições de pagamento e saídas de outras cidades.

Arq. Raquel Palharesraquel@arqtours.com.br

Avenida Nove de Julho, 5345 - 1o. andar, Cj 11
F/Fax: + 55 11 3073 1153 / 3073 0693
São Paulo-SP - CEP 01407-200